Ser pai é sentir uma saudade que não dorme. Ser padrasto é construir vínculos que não nascem do sangue, mas da convivência, do afeto diário, da paciência e da escolha. Ser os dois ao mesmo tempo é um dilema constante entre a vontade de estar mais presente na vida do meu filho Pedro e o desejo de criar, aqui em casa, um ambiente em que todos se sintam parte de algo maior: uma família.
Tem dias em que tudo o que eu queria era mais tempo com ele. Um domingo a mais. Um passeio qualquer. Um silêncio ao lado. O barulho da presença. A rotina, que às vezes pesa, se tornaria leve só de tê-lo mais perto. E ao mesmo tempo, me pego pensando em como ter todos juntos aqui em casa… Pedro, Manu, Jose, Julia e eu, seria a dose de energia que falta para as semanas difíceis, os dias apertados, os desafios do trabalho e da vida.
A verdade é que a família que construímos não é obra do acaso. Ela é feita de escolhas. E essas escolhas, por mais certas que sejam, não vêm com manual. Falhamos. Já erramos tentando acertar. Já machucamos sem intenção, já nos perdemos de nós mesmos tentando entender o outro. E mesmo assim, escolhemos continuar.
Porque manter um lar não é sobre perfeição, é sobre persistência. É sobre acordar todos os dias disposto a sacrificar um pouco do ego, da pressa, das certezas, para preservar o que realmente importa: o amor e a convivência.
Às vezes eu queria só apertar um botão e reunir todo mundo na sala. Rir juntos. Almoçar sem pressa. Dormir em paz. Mas família não é botão, é construção. É um monte de pequenas escolhas empilhadas dia após dia. E é nisso que acredito.
Mesmo nos dias em que a saudade do Pedro aperta mais. Mesmo quando as diferenças entre cada um de nós parecem maiores do que são. Eu continuo acreditando que o amor, com esforço, com tempo e com presença, tem o poder de unir o que a rotina separa.
E eu não quero só visitas. Quero vínculos. Quero pertencimento. Quero todo mundo junto, como deve ser.


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